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O QUE VOCÊS PENSAM QUE ESTÃO JOGANDO?

 

 

Esta era uma pergunta que eu fazia frequentemente quando dirigia minhas equipes. “Não quero que vocês joguem handebol. Tem que jogar headbol.!Este esporte tem que ser jogado com a cabeça!”

 

Este me parece ser o grande problema do handebol brasileiro hoje em dia. Está longe de ser o único, mas é o de mais difícil solução.

Já tivemos o tempo da falta de divulgação – aquele em explicávamos que “ handebol é um futebol jogado com as mãos”, o tempo da falta de intercâmbio, da falta de condições  de treinamento. Isto está superado.

 

Acontece que trazer o barro para dentro da oficina pode ser  um trabalho difícil, mas não requer tanto talento assim. Transformar  esta massa  numa escultura é outra conversa. O handebol brasileiro tinha uma carência tão grande de tudo, que acabamos por confundir  providenciar o mínimo indispensável com evolução. Apenas providenciamos o barro. Intercâmbio e condição de treinamento todo mundo tem. Em se tratando de equipes olimpicas, melhores do que as nossas. Por isso, talvez, que olimpiada depois de olimpiada a equipe masculina continua sendo aquela que os europeus contam como ponto ganho.

 

Temos três jogadores na Europa. Vários vão, jogam em times de segundo e terceiro escalões e voltam jogando pior. Dos que ficaram, dois  são pontas, uma posição que exige características físicas mais próximas das nossas, o que explica o bom desempenho. O Bruno é uma exceção, mas uma exceção para o Brasil. As seleções européias tem de três a quatro Brunos em papéis coadjuvantes. Não tivemos Duijshbaev, não temos Balic, não temos cabeça. E cabeça é tudo que falta ao feminino.

 

Temos um time que encara em igualdade de condições qualquer equipe do mundo... e sempre perde. Encara, porque técnica e fisicamente não devemos nada a nenhuma delas. Perdemos  porque jogamos handebol. Nesse nível de igualdade, o jogo é headbol. Quem não jogar com a cabeça, vai perder.

Não temos uma armadora. Nenhuma. Isso, de certa forma ,equivale a ter a melhor equipe do mundo com uma goleira infantil.  A equipe masculina  da Croácia pode abrir mão de Ivano Balic contra o Brasil. Contra um time igual, sua capacidade de organização certamente faria falta, provavelmente a ponto de perder medalha.

 

Mesmo nesta maravilhosa e  histórica vitória contra a Coréia, perdemos a cabeça. E o mesmo lance que nos deu esta vitória, repetido por duas vezes contra a Alemanha nos fez perder o jogo. Não foi nada planejado e executado com a perfeição resultante de muito treinamento.Diferente do gol do Bruno contra a Argentina, em Sâo Domingo, foi na raça, na louca. .Tomara que aconteça de novo, mas ganhar na loteria várias vezes é coisa para anões do orçamento.

 

Pior do que não ter uma armadora, sequer temos uma boa cabeça no banco. Importamos um técnico de quinta categoria - que agiu de forma profundamente antiética quando assistente de Alberto Rigolo na seleção masculina - incapaz de perceber, como qualquer técnico de colégio percebeu, que Gorbcz, maravilhosa jogadora húngara, precisava de marcação especial. Um técnico que aceitou passivamente o gol irregular que empatou o jogo.  Qualquer um menos incapaz armaria um escândalo que , no mínimo, levaria o caso para julgamento. O Gian Carlos, de Londrina, fez isso na Liga Nacional, mesmo sem ter razão. Juan deveria brigar e não permitir o fechamento da súmula.

 

Apenas para esclarecer, se na cobrança de um tiro, o jogo acaba ANTES da bola estar dentro do gol, este tiro deve ser recobrado. Como comparação,  William Lima esclareceu que César Cielo tem uma largada excepcional. Entre ouvir o tiro de partida e tirar os pés da plataforma demora 0,67 segundos.

Será que a atleta húngara que empatou o jogo é tão extraordinária que conseguiu ouvir o apito, girar, levantar o braço, executar o arremesso e fazer a bola percorrer MAIS de nove metros em UM segundo?

 

E porque a confederação brasileira não se manifestou a respeito?

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BRASIL, Sudeste, SAO CAETANO DO SUL, Homem, de 46 a 55 anos