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ESSE AÍ EU CONHEÇO...

 

Conheço o Vitão.

É um cara enorme, inteligente e de altíssimo astral. O maior outsider. Gosta mais do Bill Laimbeer do que do Michael Jordan. É fã do Chabal e do  Eli Manning. É o único paulista que torce de verdade para o Grêmio. Gosta de Queensryche, Pink Floyd e Dream Theatre. E, claro, Handebol.

Há mais de dez anos  vem mantendo  um clube que só existe na sua cabeça, nas gavetas de sua casa onde guarda uniformes e no coração das pessoas que se encantam com seu trato e com ele se cotizam para pagar taxas de arbitragem . Trabalha de graça.. Tá legal, tá legal, vamos ser piegas: por amor ao Handebol.

 

Handebol assim, com maiúscula.

 

Conheço o Alemão e o Chiquinho desde que eram moleques fascinados por aquela máquina difícil de entender e dominar a ponto de ser útil. Sabiam tudo de DOS e eram dos poucos que tinham um PC 386.  Eram malucos pelo  Iron , Sabbath , Sisters of  Mercy e... Handebol. Hoje, quando  o Windows já foi inventado e diversas vezes reinventado,  são doutores e empresários que usam laptops com Intel QuadriCore e não tão malucos assim por metal – o Chiquinho, Deus o perdoe,  até gosta de axé. Continuam, no entanto malucos por Handebol. Fazem o que podem e o que não devem para jogar e manter sua equipe ativa.

 

Conheço o Zé Roberto, de Diadema. Um cara articulado, serio e culto que há anos vem tendo progressos notáveis com suas equipes, driblando as dificuldades estruturais inevitáveis numa Prefeitura com carências tão grandes. Mesmo sendo tão diferente do Marcão, de Franco da Rocha – um cara mais informal -  tem em comum com ele a seriedade e uma garra que só é rara fora do Handebol. Num município com os mesmos problemas e ainda menos recursos, o Marcão consegue cavar um apoio da Secretaria para inscrever uma equipe na Liga Metropolitana. Aí, inscreve duas, e monta um barzinho  com seus atletas em dias de jogos no seu ginásio para custear a segunda. Não muito diferente do Délcio, em Itaquá e parecido, também, com o que faz o Alexandre , de Ferraz de Vasconcelos, o Enrico do CPH, o Big do Hand Ibira e a Renata, junto às meninas do Hand +.

 

Eu os conheço, também. São aqueles que treinam das 23:00 às 24:00hs das quartas –feiras  - sempre véspera de trabalho pesado (THIS is A Hard Day´s Night, John) ou  pedem para marcar os jogos após o horário comercial de sábado, para que todos possam vir jogar. Se alguns faltarem, não terão gente suficiente para arrecadar o dinheiro das taxas.  Fazem isso há anos.

 

Como quase todo mundo que vive no meio, conheço o Martins, de Ribeirão Pires, que demora anos para montar uma equipe campeã dos Abertos e como reconhecimento a vê ser desmontada e é forçado a começar do zero, com iniciantes, após  décadas de trabalho.

E começa.

E se entusiasma, mesmo com o histórico de três divórcios por causa dessa dedicação.

 

Um entusiasmo como o do Leandro Magoo, que há anos trabalha dentro de escola da USP , conseguindo motivar calouros  de Biologia, formando equipes que jogam sério e bonito até que a formatura as dissolva e seja obrigado a começar de novo. Gonzaguinha vem imediatamente à cabeça. Livre associação. “Começaria tudo outra vez., se preciso fosse...”  Cara, se não é amor, é muito parecido.

 

Conheço o Reinaldo e o Cesinha ,de Mogi das Cruzes, que há anos trabalham junto ao município para manter a equipe tricampeã dos Regionais, Abertos e da Liga Metropolitana, batalhando ano após ano para estender  o foco deste trabalho para a iniciação e inclusão social.

 

Conheço o Cássio, o Shiota e o Emilio, que depois de anos trabalhando como engenheiros e empresários sentem a necessidade de continuar com o esporte. Quer dizer, não exatamente com o esporte. Com o Handebol. Da mesma forma que o Mandetta, Pereira , Vinicius. Atletas de nível internacional que fazem questão de continuar jogando e, por isso, inventaram o Pinheiros Masters..

 

Poderia continuar citando. A Sonia do Guarujá, a Denise e Thiago, de Mauá.  A Tuca de São Sebastião e o Evandro da Praia Grande. Marisa e Rodrigo de Jacareí. O Zé Luis, de São Manuel, a Ketili de Barra Bonita, o Laércio de Lençóis, a Fernandinha de Ribeirão Preto, Marcolin de Botucatu. Tem mais o Edu, do Mazzarello, o Serginho do Marquês , o Alex da AABB, o Zuza de Guarulhos, João Mauricio do Brasília, Chiquinho do Estadual São Paulo, Geraldo do São Paulo da Cruz.. O Xuxa do Hand Positivo e o Zé, do Carmelinda. O Marcelo do Campos Salles e o Kadu, da Freguesia., cujo nome sequer é remotamente parecido com Carlos Eduardo.

 

Para explicar estes caras – e, por extensão, a mim mesmo – só sendo piegas. Mas isso já fui lá  em cima, no primeiro parágrafo.

 

Ah! Conheço o Xexa, também. Desde que ele era um moleque de 16 anos que, pela primeira vez, fora convocado para uma seleção adulta. Ficamos no mesmo quarto de hotel em Fortaleza, junto com o Fabio Banana, que o chamava de Xengui.  Ele é  aquele que tentou se afastar e não conseguiu. Voltou com  o trabalho voluntário junto ao Mosteiro São Geraldo e Colégio Santo Américo. Mas conhecer o Xexa não quer dizer nada: todo mundo conhece. Até o “Seu” Fábio Lazzari.

Talvez  ele até já tenha ouvido falar de mais um ou dois desta lista..

 

Porque estou listando essa galera? Não é uma homenagem. Não precisam. Na verdade, a maior parte deles  é avessa a coisas como esta. O motivo é outro: quem pretende trabalhar com, no ou para o Handebol, só conseguirá fazê-lo se conhecer e levar em consideração os sacrifícios que estas pessoas fazem.

 

Sacrifício soa exagerado e piegas? Que outro adjetivo você teria para os três divórcios do Martins?

SUN TZU, NERSO DA CAPETINGA... TANTO FAZ.

 

 

 

Sun Tzu deve ter dito que  para estar à frente de um exército, é preciso conhecer seus soldados. Se não disse, um caipira anônimo o fez muito bem:”- Cunheço meu gado, sô!”

 

Este é o maior dentre os inúmeros motivos que fazem de Fábio Lazzari um péssimo presidente. Depois de duas décadas na FPH, ele não conhece a modalidade. Não sabe o que move as pessoas que fazem dela o principal moto de suas vidas, nem imagina que as dificuldades enfrentadas por estes que listei acima, se repetem, em grau variado, em todas as equipes que estão hoje na Federação.

 

Em recente palestra a professores da rede municipal, uma resposta a um deles me levou a dizer que temos apenas uma quadra de handebol no Brasil. Pode-se jogar em várias, mas o Baetão, em São Bernardo, é a única que tem apenas as linhas demarcatórias de handebol. Não é poliesportiva. È uma quadra de handebol.

Isso ilustra perfeitamente uma constatação que,ao invés de ignorada, deveria ser o ponto de partida no planejamento estratégico da FPH. Eu sei, eu sei. É piada colocar planejamento estratégico e FPH na mesma frase, mas a constatação - mais do que óbvia - é a seguinte: pessoas como nós à parte, o handebol não é o primeiro esporte de ninguém.

De nenhum clube, de nenhuma prefeitura (desde  que  São Bernardo  e Metodista diversificaram seus  investimentos ), de nenhuma televisão, de nenhuma parcela da mídia esportiva  e nem mesmo do presidente da FPH: o livro que escreveu, depois de décadas à frente da  federação é sobre futebol. Como exemplo, tomemos a Prefeitura de Guarujá, que disputava a Liga Metropolitana, a custos irrisórios e largou a competição no meio para canalizar toda a verba para a natimorta  Nossa Liga de Basquete. Quando as atletas reclamaram, desfizeram a equipe.

 

Em outras palavras, isso significa que qualquer pequeno obstáculo pode levar um presidente de clube ou um secretario de esportes a desistir do handebol. Essa premissa deveria ser a base do planejamento (eh,eh) da FPH, seu objetivo principal.

Facilitar o acesso, estimular a prática. Como faz isso? Eu mostro.

 

Escute essa.

 

O São Paulo Futebol Clube teve agendada uma partida  Cadete Feminino para Guarulhos. Deixando de lado os gastos com alimentação e transporte, o jogo ficou em seiscentos reais. Por que tanto? Porque a federação escalou dois árbitros do interior, mesmo com diversos morando na cidade, aumentando em muito a ajuda de custo com transporte. Como se fosse pouco, escalou o árbitro mais caro do quadro - internacional e olímpico - para um jogo que teve uma diferença, previsível, maior que  dez gols entre as equipes. Eu, aqui no meu canto, não entendo porque não foi designado algum membro daquela familia guarulhense que assina como árbitro nas prestações de conta da FPH para a Secretaria da Juventude. Não pode ser apenas porque nenhum deles apita.

 

Todos nós  sabemos que os responsáveis pelo handebol do São Paulo FC lutam com enormes dificuldades para que a modalidade sobreviva no clube, que os investimentos foram drasticamente reduzidos, que a equipe mirim foi dissolvida. A federação sabe disso. Sabe e resolveu colaborar cobrando seiscentos  paus  por um jogo que poderia custar duzentos, se tanto. Como se fosse um deputado, se lixou para a grana do São Paulo.

 

A mentalidade  parece  ser a das  pessoas que confundem esporte com futebol: “- O que é seiscentos “conto” pra quem paga salário do Ceni, Dagoberto, Hernanes etc...”

Quem planeja sabe que, com compromissos desta ordem, qualificar qualquer gasto como INÚTIL é muito fácil. A FPH está tornando nosso esporte INÚTIL

 

A relação da FPH com os federados deveria  ser de parceria. Acontece, infelizmente, que quem conviveu com políticos corruptos boa parte da vida não aprendeu o que exatamente significa ser parceiro. Sabe mais de ser cúmplice.

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BRASIL, Sudeste, SAO CAETANO DO SUL, Homem, de 46 a 55 anos